Morte, o que vem depois?


A minha maior dúvida quando ateu era se valeria a pena a recompensa após a vida. Me dava uma angustia pensar em viver uma vida inteira de privações e medo, para descobrir então que nada nos aguarda... o vazio infinito. "Silêncio mineral" - como certa vez assisti um entrevistado responder uma pergunta semelhante na tv - nossos corpos iriam se decompor, virar poeira, areia e depois pedra. Uma existência em silêncio absoluto, na ausência de pensamentos e consciência. Isso me faz lembrar um ritual budista tibetano no qual o corpo dos que morrem é esquartejado e deixado exposto a céu aberto para que seja devorado pelos abutres e outros animais; desse modo você passa a viver como parte da natureza, retribui o que ela te propiciou enquanto vivo: alimento, ar, água... A esse ritual é dado o nome 'Enterro Celestial'.

Porem para o budismo acredita-se que após a morte se renasça em uma nova dimensão na existência; pois para essa corrente de pensamento religioso vivemos na terceira e quarta dimensão. A nossa realidade mais próxima aos olhos - literalmente como enxergamos as coisas: com altura, largura e profundidade - trata-se da terceira dimensão. A quarta seria a razão entre o tempo e espaço, teoria tão famosa para a Física moderna, no entanto abordada bem antes através dos conceitos religiosos. Uma quinta dimensão seria acessada após a morte, nela veríamos coisas que os olhos humanos não são capazes de enxergar, ouviríamos sons inaudíveis aos nosso ouvidos; não estaríamos mais sujeitos as leis da física como a gravidade.

Ainda sobre o processo pós morte budista, em tal religião acredita-se que o falecido permanece em consciência em nosso plano por 49 dias, podendo assim acompanhar seu próprio enterro e escutar as preces dos entes queridos durante todo o período. No judaísmo crê-se o espírito permanece por um período de até um ano em uma espécie limbo, tal período é necessário para que a alma se desvencilhe das impurezas da carne que agora voltará ao pó; esse processo se assemelha ao purgatório do cristianismo. Algumas vertentes antigas do judaísmo acreditavam que os espíritos enquanto habitassem o limbo pós morte poderiam se comunicar, estariam acessíveis a comunicação com os vivos.

Católicos tem uma longa tradição em rezar para os mortos - designados por "fies defuntos" -  em todas as missas, no mundo inteiro é destinado um momento para isso; além de dedicar um dia do ano (2 de novembro) a celebração dos mortos. Dia esse que vem logo após o dia de todos os Santos, termo esse (Santo) relacionado diretamente aos espíritos evoluídos nos preceitos cristãos dignos de entrar no Reino do Céu.

Como observamos nos exemplos a cima a morte como um processo e o espírito como uma continuação da consciência no após vida é um lugar comum em todas elas, dentre muitas outras espiritualidades ancestrais da História da humanidade que não me cabe elencar em uma única postagem. A questão que deixo para futuras reflexões e investigações é se essa comunicação é de apenas uma via, dos vivos para os mortos?

   

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